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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

COCO (DANÇAS DE UMBIGADA)

O Artigo foi extraido do Site:
 
"vamos umbigar meu povo..."

Coco é uma dança bastante comum na região norte-nordeste do Brasil, provavelmente trazida pelos negros de origem banto - habitantes de Angola - da região do Congo-Angola, Com eles, veio a tradição danceira de umbigada. Existem várias versões sobre o coco, que, aliás, recebe várias nomenclaturas diferentes, tais como coco-de-roda, coco-de-embolada, coco-de-praia, coco-do-sertão, coco-de-umbigada e ainda outros o nominam com o instrumento mais característico da região em que é desenvolvido, como coco-de-ganzá e coco de zambê. Cada grupo recria a dança e a transforma ao gosto da população local.
Embora receba várias denominações, todas elas têm a umbigada como principal característica. Existe até o coco de desafio, dançado geralmente apenas por homens em um grande desafio de agilidade, força e ritmo.

Mais comum na região litorânea do nordeste, as pessoas contam que o coco pode ter surgido dos escravos que quebravam coco com pedra para a manufaturação. Há também relatos de que tenha havido a mistura desse povo com elementos indígenas, principalmente na marcação do ritmo e na instrumentalização e, ainda, da intervenção dos portugueses com seu formato de roda, muito comum nas danças do folclore daquele povo.
Os coquistas, como são chamados os que participam do coco, passam a noite umbigando sem parar. Os cantadores improvisam, e a roda - muito mais chamada de gira - responde, fazendo um grande coro. Os dançadores formam uma roda, batem palma e ajudam a embalar o coco. Em alguns lugares, ainda calçam um tamanco que ajuda na percussão com o seu sapatear.

A marcação é feita com os pés, em um compasso de geralmente três pisadas fortes no chão. Alguns instrumentos mais comuns são o ganzá, o pandeiro, o zambê, as palmas e o tamanco (calçado nos pés); em algumas regiões, principalmente em Pernambuco, a alfaia, a caixa e outros tambores.
O coco-de-roda (também conhecido em certos lugares como coco-do-sertão), mais comum na Paraíba, diferentemente do dançado em outras regiões, é feito em roda e as pessoas ficam de mãos dadas e girando, umbigando alternadamente com um e com outro, na própria roda.
O chamado coco-de-praia desperta a atenção pelas coreografias elaboradas, exigindo muito dos dançarinos.
Todos esses elementos e diferenciais do coco ajudaram muito a popularizar o ritmo, que chegou a ser muito dançado dentro dos salões. Hoje, é muito apreciado apenas nas comunidades que mantêm viva essa tradição e por quem se interessa por dança e cultura popular, principalmente estudantes.
"vem coquiar, eu te desafio a dançar coco comigo, vem coquiar, eu te desafio a dançar coco com o umbigo..."


"Segura o coco!"

Edgard Freitas

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia

Reproduzo parcialmente um texto de uma Palestra proferida pelo Prof. Dr. Kabenguele Munanga no 3º Seminário Nacional Relações Raciais e Educação-PENESB-RJ.

O texto pode ser lido integralmente no site:
http://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=59

Parte I

Prof. Dr. Kabengele Munanga (USP)

Etmologicamente, o conceito de raça veio do italiano razza, que por sua vez veio do latim ratio, que significa sorte, categoria, espécie. Na história das ciências naturais, o conceito de raça foi primeiramente usado na Zoologia e na Botânica para classificar as espécies animais e vegetais. Foi neste sentido que o naturalista sueco, Carl Von Linné conhecido em Português como Lineu (1707-1778), o uso para classificar as plantas em 24 raças ou classes, classificação hoje inteiramente abandonada.

Como a maioria dos conceitos, o de raça tem seu campo semântico e uma dimensão temporal e especial. No latim medieval, o conceito de raça passou a designar a descendência, a linhagem, ou seja, um grupo de pessoa que têm um ancestral comum e que, ipso facto, possuem algumas características físicas em comum. Em 1684, o francês François Bernier emprega o termo no sentido moderno da palavra, para classificar a diversidade humana em grupos fisicamente contrastados, denominados raças. Nos séculos XVI-XVII, o conceito de raça passa efetivamente a atuar nas relações entre classes sociais da França da época, pois utilizado pela nobreza local que si identificava com os Francos, de origem germânica em oposição ao Gauleses, população local identificada com a Plebe. Não apenas os Francos se considerava como uma raça distinta dos Gauleses, mais do que isso, eles se consideravam dotados de sangue “puro”, insinuando suas habilidades especiais e aptidões naturais para dirigir, administrar e dominar os Gauleses, que segundo pensavam, podiam até ser escravizados. Percebe-se como o conceito de raças “puras” foi transportado da Botânica e da Zoologia para legitimar as relações de dominação e de sujeição entre classes sociais (Nobreza e Plebe), sem que houvessem diferenças morfo-biológicas notáveis entre os indivíduos pertencentes a ambas as classes.

As descobertas do século XV colocam em dúvida o conceito de humanidade até então conhecida nos limites da civilização ocidental. Que são esses recém descobertos (ameríndios, negros, melanésios, etc.)? São bestas ou são seres humanos como “nós”,

* Palestra proferida no 3º Seminário Nacional Relações Raciais e Educação-PENESB-RJ, 05/11/03 europeus? Até o fim do século XVII, a explicação dos “outros” passava pela Teologia e pela Escritura, que tinham o monopólio da razão e da explicação. A península ibérica constitui nos séculos XVI-XVII o palco principal dos debates sobre esse assunto. Para aceitar a humanidade dos “outros”, era preciso provar que são também descendentes do Adão, prova parcialmente fornecida pelo mito dos Reis Magos, cuja imagem exibe personagens representes das três raças, sendo Baltazar, o mais escuro de todos considerado como representante da raça negra. Mas o índio permanecia ainda um incógnito, pois não incluído entre os três personagens representando semitas, brancos e negros , até que os teólogos encontraram argumentos derivados da própria bíblia para demonstrar que ele também era descendente do Adão.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Morrer de Banzo


Morrer de Banzo, morrer de tristeza ou morrer de saudade, da terra, da família, dos amigos, da aldeia, do seu povo, eis um dos dramas que se abateram sobre a comunidade negra na diáspora. Pego a me imaginar os que passaram por tais situações, confesso que é um exercício penoso. Tai, uma das cadências do Blues, do Samba, do Choro e do Reggae, ou seja, essas expressões musicais da diáspora são bem carregadas desses sentimentos.

Em breve aqui no Brasil estaremos celebrando, o dia 20 de Novembro, o dia nacional de luta contra o Racismo e demais formas de intolerâncias correlatas. Valeu Zumbi, o grito forte dos Palmares  continua ecoando até hoje em nossas mentes e corações. Aqui faz jus refletir sobre o Poeta, Solano Trindade, que em momento de intima comunhão com sua ancestralidade, brindou-nos com, “ Canto aos Palmares, sem Inveja de Virgílio, Homero e Camões...”.

Ter  respeito  e celebrar as nossas tradições e memórias permite-nos saber nossas referências e nossas raízes. Essa postura é de reconhecimento e de gratidão a toda contribuição daqueles que um dia foram tratados como o pior dos seres. Aqueles que resistiram de diversas formas e que nos brindaram com essa magnífica herança cultural e política que temos em nossa sociedade. Muitos morreram de Banzo, mas através dele se libertaram e retornaram as terras de seus ancestrais. Um brinde a todos....

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Simplesmente Cartola

A Biografia de Cartola pode ser consultada no Site:

Cartola não existiu.
Foi um sonho que tivemos.
- Nelson Sargento -

Através de suas canções, o povo brasileiro
pôde entender um pouco mais a vida, e como lidar
com o dia a dia de uma maneira mais poética.
Cartola partiu desse mundo deixando suas canções
e seu amor, e nós o louvamos, e o amamos muito.
Cartola ignorou a injustiça pois esteve sempre
ocupado, com o que tinha no coração.
Tinha sabedoria suficiente para saber o quanto
estava adiante de seu tempo, o quão importante
seria os Brasileiros um dia perceberem
a mensagem que Espíritos Africanos o designaram
para levar a terras distantes.
Hoje em dia, o mundo inteiro percebe.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Ó Abre Alas, Chiquinha Gonzaga e varra os Preconceitos que queremos passar!

Texto biográfico - Chiquinha Gonzaga GONZAGA, Chiquinha – (Francisca Edwiges Neves Gonzaga).

Compositora, instrumentista, regente. Rio de Janeiro, RJ, 17/10/1847–idem, 28/02/1935. Maior personalidade feminina da história da música popular brasileira e uma das expressões maiores da luta pelas liberdades no país, promotora da nacionalização musical, primeira maestrina, autora da primeira canção carnavalesca, primeira pianista de choro, introdutora da música popular nos salões elegantes, fundadora da primeira sociedade protetora dos direitos autorais, Chiquinha Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, filha do militar José Basileu Neves Gonzaga e de Rosa Maria de Lima. [...]
Por desafiar os padrões familiares da época, sofreu fortes preconceitos. Aperfeiçoou-se com o pianista português Artur Napoleão (1843-1925). Sua vontade de musicar para teatro levou-a a escrever partitura para um libreto de Artur Azevedo, Viagem ao Parnaso. A peça foi recusada pelos empresários. Outras tentativas fracassaram, até que conseguiu, em 1885, musicar a opereta de costumes A Corte na Roça, encenada no Teatro Príncipe Imperial. Em 1889 promoveu e regeu, no Teatro São Pedro de Alcântara, um concerto de violões, instrumento estigmatizado àquela época. Foi uma ativa participante do movimento pela abolição da escravatura, vendendo suas partituras de porta em porta a fim de angariar fundos para a Confederação Libertadora. Com o dinheiro arrecadado na venda de suas músicas comprou a alforria de José Flauta, um escravo músico. Chiquinha Gonzaga também participou da campanha republicana e de todas as grandes causas sociais do seu tempo. Já era uma artista consagrada quando compôs, em 1899, a primeira marcha-rancho, Ó Abre Alas, verdadeiro hino do carnaval brasileiro. Na primeira década deste século esteve algumas vezes na Europa, fixando residência em Lisboa por três anos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

OS SUBTERRÂNEOS DO BLUES E SEUS CÓDIGOS DE ACESSO

O Blues pode ser tratado de diversas formas, ou seja, do ponto de vista de sua estética musical, de seus músicos, de seus compositores, de seus cantores, das suas diversas lendas, das suas raízes etc. Enfim, todas essas variantes compõem a apaixonante história do mano Blues. Todos aqueles envolvidos com esse gênero musical direta ou indiretamente têm suas histórias particulares em que o Blues perpassa e deixou suas marcas e por meio desse se expressaram.

 Nem tudo veio para a grande mídia, muito de suas intimidades e segredos não vieram à tona e dependendo da situação não poderiam vir, permanecendo acessíveis somente a aqueles digamos assim, que o cultivavam. Dos códigos compostos em formas de músicas, um “Senhor Escravista, ou um Capataz, jamais poderiam ter acesso”. Esses posicionamentos do negro iriam influenciar a futura estética musical do Blues. A trama acontecia, o que se via ou se ouvia publicamente poderia não ser aquilo que se pensava ser, pois desse subterrâneo do Blues nem todos tinham o código de acesso. A dissimulação, o estar atento, uma boa dose de malícia, a criatividade, o improviso, o sentimento, a paixão e a musicalidade desde então passaram a ajudar a tecer esse formidável subterrâneo Blues. O depoimento de Campbell E. Simemms, em jazzmen, é esclarecedor:

“Os negros trabalhavam e cantavam juntos e muitas destas canções tinham um significado que só eles atingiam. Para o branco esses cantares traduziam a paz e a satisfação do escravo, mas para os negros isso não passava muitas vezes de um meio de trocar mensagens. << É melhor ires andando por aquela estrada abaixo – filho –  melhor ires andando por aquela estrada abaixo. O Senhor Charlie da cidade não se sente bem – é melhor aliviares essa pesada carga>> - a canção era recebida e passada de uns para os outros através dos campos. Queria simplesmente dizer  que um homem branco de outra cidade acabava de chegar à plantação e que era melhor que o jovem negro que trabalhava entre eles, zelosamente escondido dos brancos na <<casa grande>>, deixasse a cidade. Era freqüente entre os negros darem asilo aos seus irmãos perseguidos que vinham pedir-lhes refúgio e, na altura própria, comunicavam-lhe em código a urgência em abandonar a plantação nessa noite. Tais letras misturadas nas canções conhecidas tinham um enorme significado para ouvidos negros”.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Jackson do Pandeiro: Eu só boto Be-Bop no meu Samba quando o tio San tocar o tamborim

A Biografia de Jackson do Pandeiro pode ser encontrada no site:
http://www.jacksondopandeiro.digi.com.br/

Músicos que o acompanharam como Dominguinhos e Severo dizem que ele era um grande “sanfoneiro de boca”, o que significa que apesar de não saber tocar o instrumento ele fazia com a boca tudo aquilo que queria que o sanfoneiro executasse no instrumento. O fato de ter tocado tanto tempo nos cabarés aprimorou sua capacidade jazzística. Também é famosa a sua maneira de dividir a música, e diz-se que o próprio João Gilberto aprendeu a dividir com ele.